Atualmente, meu dia a dia é a Educação de crianças, adolescentes e jovens... Dia após dia, tanto em nosso projeto em Passos, o CAPP, quanto no cursinho popular Educafro - Núcleo Dércio Andrade, em que sou voluntário, percebo o quanto é difícil mudar a realidade da educação no Brasil...
Não que eu acredite que seja impossível, longe disto, é exatamente por isso que dedico grande parte do meu tempo a estes dois projetos, mas é que a realidade que encontro nestes dois ambientes é muito difícil, chega a ser trágica...
Mais do que alunos desinteressados, encontramos todos os dias muitas barreiras: a primeira, e talvez maior delas é que tanto crianças quanto jovens e adultos não foram "educados para a educação". Explico: no núcleo familiar nem sempre a educação é vista como ponte para uma sociedade e vida melhores, então, não há por parte da maioria uma real confiança no poder da educação. E isto dificulta muito, já que não é possível ensinar a alguém que não queira aprender. Precisamos portanto, nos lançar antes disto ao desafio de motivar as pessoas a aprender, para depois sim, poder tentar ensinar.
Um segundo desafio é que a educação perpassa outras áreas da vida, e que, se não estão bem, vão influenciar e muito no processo educacional: a questão familiar, as condições de trabalho e renda destas famílias, a saúde (garantia de direitos, violência doméstica, sexualidade), etc... Então, para possibilitar que as crianças aprendam é preciso garantir o mínimo destes outros direitos constitucionais... e isto envolve muita gente, muita burocracia e muito tempo. Com todos estes entraves, é esperado que o ano seja curto para a quantidade de conteúdo.
O déficit educacional então surge como outro grande obstáculo... Tanto no CAPP quanto no cursinho, percebemos que alguns chegam sem conhecimentos que deveriam ter sido trabalhados e desenvolvidos em etapas anteriores da formação escolar! E correr atrás do tempo perdido exige muito da pedagogia dos educadores, da metodologia utilizada e da força de vontade dos alunos.
Na tentativa de fazer com que as pessoas sejam mais conscientes sobre suas realidades e vidas, esbarramos em mais um grande problema: a sociedade não quer pessoas pensantes, e por isto, incentiva hábitos que aumentam esta "preguiça intelectual e moral"; buscamos incutir nas pessoas um espírito questionador, buscando caminhos para que as pessoas não aceitem mais as realidades por si, que questionem, que saibam o porque, e que possam desenvolver a partir da discussão e troca de ideias um senso crítico próprio, que os ajude na tomada de decisões e na construção de um mundo com valores éticos.
Embora estas linhas possam parecer um tanto pessimistas, é preciso ter os pés no chão ao ver a realidade que somos chamados a mudar. E claro, na mente o sonho da mudança e no coração a humildade de quem sabe que aprende todos os dias com tudo e com todos!
Anderson Silva Barroso
Educador Social Voluntário
Postulante dos Irmãos de São Gabriel